A “história” do Ceará começa com um século de atraso em relação ao resto do Brasil uma vez que o donatário da capitania do “Siará Grande”, Antônio Cardoso de Barros, nunca pisou aqui ( e olha que o homem foi provedor-mor da Bahia! ). O motivo para tanto desinteresse vinha da total falta de atrativos que a nossa terrinha proporcionava aos portugueses, que estavam na época do mercantilismo, que buscavam metais, especiarias ou outros bens demandados pelo mercado europeu. Nem mesmo a cana-de-açúcar podia ser plantada em grande escala.
Mesmo com o desinteresse por parte da metrópole, muitos aventureiros estiveram no Ceará em busca de escambo com os índios. Muitos desses aventureiros estiveram aqui antes mesmo de Cabral ter invadido o Brasil com seus barquinhos! O espanhol Vicente Yañes Pinzón desembarcou aqui entre janeiro e o início de fevereiro, mas não tomou posse de nada pois, a terra não tinha nenhum atrativo e já estavam delimitadas pelo tratado de tordesilhas como território português.
O descaso era tão grande que a “gringaida’ já tava tomando de conta de tudo! Os franceses chegaram a fundar uma colônia francesa no Maranhão, chamada França Equinocial.
foi somente nessa época (1603) que os portugueses decidiram parar de “arroizar” e começaram a colonizar o “Siará Grande”, ainda que apenas por motivos estratégicos e defensivos e não por motivos econômicos.
Pero Coelho de Sousa foi a cara da vez! Recebeu o título de capitão-mor das mão de Diogo Botelho, então governador-geral do Brasil. O cara chegou e expulsou os estrangeiros e celebrou paz com os índios. Fez incursões pelo litoral norte brasileiro partindo da paraíba, seguindo pela serra de ibiapaba, onde travou combate com índios e franceses que lá estavam. Queria ir até o Maranhão, mas os seu soldados estavam lascados: cansados, maltrapilhos e famintos.
Pero e sua tropa retornaram ao litoral onde levantaram o Forte São Tiago, às margens do rio Ceará, fundando o povoado de nova lisboa. Pero então foi a paraíba levando prisioneiros estrangeiros e índios que venderia como escravos.
Retornando ao ceará com sua família e mantimentos em 1606, Pero pretendia explorar a terra, mas a seca de 1605 a 1607, os constantes ataques indígenas e o descaso do governo geral fizeram com que Pero batesse em retirada do Siará para o forte dos Reis Magos (RN). Nessa trvessia, morreram de fome e sede vários soldados e seu filho mais velho. Pero morreu paupérrimo em Lisboa.
Fracassava assim a primeira tentativa de colonização do “Siará Grande”…
E amanhã tem mais!